quarta-feira, 4 de junho de 2014

PAZ PARTIDA EM TRÊS PARTES




I
Sujeitem os canhões da guerra á fundição vermelha
Ferro fundido forjado fugido dos cadáveres que esperavam morrer, dos filhos que esperavam nascer
Ferro vermelho quente fundido feito estátua magenta
Antítese da cor sangrenta que já não é sangue.
Derrame de lágrimas florais e brancas
Na esperança que voa, na esperança que morre por já existir
Paz disparada pelas bocas que se beijam
Disparada nos corpos cruzados que se desejam
Paz carnal do homem que não passa de animal
Contra a guerra do Homem intitulado racional

II
Tantos morrem
Tantos correm
Tantos fogem
Pátria expatriada esburacada no calor das bombas
Aquecimento globalizado da frieza que surge suja nas armas
Que aparece podre nos governantes
Que desaparece na vida dos soldados
Filosofia ardente dos maltratados
Xadrez real preto branco vermelho
Diagonais mundiais sangrentas carnificinas nos cinzentos que pintam o mundo
Esperando que as vozes se calem
Esperando o silêncio profundo

III
Informação televisionada propagandeada propagada a difundir culpados, terroristas, aliados
Governos subsidiados pela armação tecnológica de drones drenados do fogo do inferno
Cliques em botões, comandos, jogos e repentinamente tudo é inverno
Cinzas, caveiras, ruinas
Misturadas no ar que respiras
Inspira
Expira
Inspira
Expira
Até seres morte
Até seres outros
Por osmose
Por metamorfose
Transpirando p'los que já não o podem fazer
Até o cosmos fazer ver
Até o cosmos fazer ouvir
Nos montes nos valesnas florestas
Nos rios nas chuvas  nas giestas
O coro fúnebre dos mortos
O ponto sem retorno dos corpos que já não voltam atrás
O silêncio mais tenebroso e profundo
“Paz… Paz… Paz…”
(Antes que a morte chegue a todos antes que o mundo possa acalmar)
“Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, PAZ!”

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